Artigo do nosso Conselheiro Roberto Koga "De grão em grão, a galinha enche menos o papo"

Estou muito preocupado com a família das galinhas

genuinamente caipiras. Jamais imaginaria que elas e seus ovos

estariam em risco de sumir das mesas dos apreciadores; eu, um

deles.

Segundo nutricionistas, a colina existente na gema do ovo é

um forte aliado no combate do Alzheimer. Dizem, também, que os

ovos caipiras têm mais vitaminas A, D e E em relação aos de

granja, porque produzidos por galinhas felizes, assim consideradas,

pois vivem soltas, namoram, tomam sol, chuva, ciscam, andam para

lá e para cá, coisas que não existem na granja tradicional.

O tempo estimado para o ponto de abate é de mais de seis

meses, e para alimentar estas aves, nesse período, gasta-se mais

ou menos um saco de milho.

O que me chama a atenção, porém, é que a simples elevação

do preço do milho, principal alimento das galinhas, implica o

sacrifício antecipado dessas criaturas tão felizes.

Como é sabido, no campo, o mercado se comporta como nos

tempos dos réis, unidade monetária utilizada desde a colonização

do Brasil até meados do século passado, época em que o escambo

era predominante na zona rural.

Atualmente, na roça, a lei da oferta e da procura não encontra

o seu ponto de equilíbrio.

Vejamos: a cotação de uma galinha caipira equivale a um saco

de milho, mas, para a tristeza dos galináceos, nos últimos meses o

saco de milho passou dos cerca de R$ 40,00 para mais de R$

100,00.

O custo de manter as penadas no quintal não cobre o preço de

venda; vender as aves a R$ 100,00 afasta o consumidor, mesmo

aquele fiel ao seu sabor.

Diante desse cenário, o galinicultor não consegue sustentar a

produção artesanal das galinhas pelo tempo estimado e elas,

infelizmente, estão indo mais cedo para o sacrifício, pois, na lição

do jornalista, escritor e humorista, Millôr Fernandes, acerca da

inflação: onde comem dois, come um. Ai, ai, ai… Pobres galinhas

felizes, a inflação não vai salvá-las da panela!


Roberto Koga, conselheiro do Conselho Regional de Economia, SP.

47 visualizações0 comentário